sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A INFLUÊNCIA DE AQUILINO


Este projecto de capa é, muito naturalmente, inédito e assim continuará a ser em termos de papel impresso. Respeita a uma adaptação de uma das mais conseguidas e maravilhosas narrativas extraída de "O Malhadinhas", de Aquilino Ribeiro.
Já referi este mesmo assunto, algures para trás, neste blog. Não escondo que sou, desde muito novo, um leitor do Mestre e que, até determinada altura, o seu estilo de escrita me influenciou, tanto mais que a vivência regional é comum.
Esta passagem da novela aquiliniana, foi publicada em "O Mundo de Aventuras", essa revista magistralmente dirigida pelo Amigo Jorge Magalhães. É natural que o meu incipiente traço não merecesse essa aceitação, não fosse o caso de o Jorge abrir oportunidades aos jovens autores portugueses, proporcionando uma nova vaga de desenhadores, ilustradores e argumentistas.
Para além desse pormenor, a minha pequena adaptação mereceu do  Jorge a honra de capa (houve mais dois trabalhos meus a quem dedicou igual cortesia e honra), tanto mais importante e significativa quanto se sabe que entregou a tarefa a um Genial ilustrador, que é o Augusto Trigo.
Quem me conhece sabe que não tenho propensão ao saudosismo, mas neste ponto tenho de reconhecer que me faz falta - que nos fazem falta - uma revista como o Mundo de Aventuras, um coordenador como o Jorge Magalhães e ilustradores com a categoria do Augusto Trigo.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

AUTOR,EDITOR,DISTRIBUIDOR


No teatro das operações editoriais, assumo três papeis; ou melhor, quatro, se incluir o de composição gráfica. Tudo o que sai do meu bestunto, passa pela minha oficina digital, transporta uma espécie de chancela editorial e distribui-se, consoante a gama, o publicado. À margem desta ditadura, fica para uma gráfica exterior apenas - e só apenas - a impressão dos PDF's da capa e miolo (e, por vezes, o arranjo das medidas da lombada com a espessura do miolo), o que quer dizer que faço o que quero e como quero. Depois é só entregar nos espaços habituais, oferecer a margem dos 30 por cento costumados e aguardar por reposições. Pessoalmente, não vendo um único exemplar.
Sei o que o público local requer, também presumo o que de melhor se pode oferecer para venda aos turistas e adventícios. E não tenho razões, por ora, para bocejar.
O título que hoje trago à publicidade deste blog é aquele que abre uma nova colecção. Para bem dizer, reabre uma outra colecção de títulos localizados, de que saíram sete números e de que não restam vestígios vendáveis. Trata-se das Profecias do Bandarra (todas as minhas edições anteriores, em número de oito, estão esgotadas), numa nova edição, desta vez integrada numa série de que já está previsto mais quatro números. Há ainda a ousadia de preparar de antemão as sequências, fazendo disso publicidade na contracapa, como o caso que hoje ilustra este post.
Há um Amigo (dos verdadeiros, entenda-se) que me augurou viver até aos 100 anos, graças a esta forma de ser, de estar, de construir e de publicar. Isso, a confirmar-se, significa que me faltam mais 34, podendo continuar a empilhar títulos como se construísse uma  espécie de pirâmide de Gizé, se tiver pachorra e saúde para o fazer.
Com este propositado sistema, não necessito passar a escrito qualquer contrato, não há divergências nas diversas fases da autoria, edição e distribuição e continuo a dar vazão ao "vício" que apanhei não sei quando, nunca soube como e não sei onde.


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

THE AFRICAN QUEEN (5)


Tenho andado pouco  dedicado a esta página, é um facto, pois sou vagabundo em outras coordenadas.
Corro livre, sem disciplina, ao sabor dos apetites autorais e editoriais, sem que com isso goze dos direitos patrimoniais que seria suposto subjacentes. A Banda Desenhada é para carolas e teimosos - como eu - porque, tirante os super-heróis, não há super-leitores que apostem na compra deste género de arte e literatura. Isso não significa que eu deixe de a fazer, porque quando desenho sou eu o primeiro leitor, talvez mais interessado do que qualquer outro, uma vez que padeço e faço parte desta aventura. Por outro lado, tento manter os compromissos que assumi para comigo, em contrato secreto e particular, para uma lida diária com algumas tréguas. Disso tentarei dar conta, ainda antes do findar do ano.
Donde se conclui que, trazendo hoje um assunto já refinado em abordagens anteriores, prove que desistência ou rendição são termos que não constam nas lapelas da minha obra singela. É certo que "A Rainha Africana" está de repouso há algum tempo, mas no seu dossier não consta o termo "aqui jaz...". Pode inferir-se que, a determinado momento, sem que nada o faça prever, continue com o projecto.
Por hoje, três amostras do trabalho "riscado", incluindo a página 1.


sábado, 23 de dezembro de 2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A MINHA OPINIÃO - TRANCOSO NO "SAPO"


No portal SAPO foi hoje publicado um artigo de opinião, da minha autoria, sobre Trancoso.
Para quem o queira ler, basta aceder àquela plataforma através da página inicial ou digitar/copiar/colar o link seguinte
http://24.sapo.pt/atualidade/especiais/a-minha-terra

ou o link mais directo, que é
http://24.sapo.pt/opiniao/artigos/trancoso-se-sete-vidas-tivesse

Boa leitura

sábado, 28 de outubro de 2017

TRABALHOS ALTERNADOS

Aí pelos meus quinze e dezasseis anos de idade, vivi durante as férias liceais na aldeia onde os meus pais tinham um comércio. Nesses períodos, para além de atender a freguesia da mercearia (o que não me agradava nada) e de ouvir música no rádio da taberna, tinha a leitura de banda desenhada e de alguns pequenos livros de cow-boys da APR (A Colecção Seis Balas e a Colecção Cow-Boy) que uma vizinha de 75 anos, com algumas posses, me emprestava, depois de ela própria os ler. A senhora devorava romances de aventuras e privilegiava as do “farwest”! Trazia-me, às vezes, dois exemplares de cada vez, com prazo de devolução, o que eu cumpria depois de os ler, às vezes intercalando a leitura de um com a de outro. Como se deve compreender, isto exigia um exercício de concentração e de memória, treino que me valeu para futuro.
Quando na empresa municipal fiz nascer um jornal dos tempos (efemérides), tinha dois colaboradores a preencherem as colunas e ditava, para os dois, textos diferentes para preenchimento das manchas. Às vezes, é certo, precisava ouvir os últimos vocábulos ditados, à guisa de deixa teatral.
Vem este “relambório” a propósito de manter esse exercício, agora não na leitura (por não ter livros para devolver e não ficar à espera pelos que empresto), mas nos trabalhos que faço, ora no desenho ora em texto.
Não se admirem que tenha dedicação, em certos dias, à BD do Bandarra – que a vinheta deste post representa –, como aos riscos e rabiscos de A Rainha Africana, sem esquecer que tenho de ir trabalhando no almanaque trimestral, preenchendo as suas mais de 200 páginas. Para mais ainda abracei graciosamente leccionar História na US aqui da terra. Isto significa que, tendo o recurso a apenas duas mãos e a uma cabeça que tem lá tudo sem necessidade de apontamentos no que toca à acção, nunca me canse de um projecto porque passo de um para outro, em matéria de gosto e apetite, como salto de corça.
A minha arte no desenho – e até na escrita – é assim fruto da minha forma de ser: tosca, inocente, primitiva e até, por vezes, pueril. Não sou muito de rejeitar trabalho e aproveito tudo. Esta vinheta em pórtico da peça é exemplo deste meu paladar cultural na execução dos “bonecos”, tão só porque aproveitei (para não fazer outras) estas duas figuras que desenhei após a observação de desenho de fardamentos de época, dois soldados franceses que já serviram para outro trabalho meu e que agora descaradamente pretendo repetir.

Toda a minha obra é, acima de tudo, fruto da vontade; tomara eu que o engenho viesse de mão dada com esta.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

THE AFRICAN QUEEN (4)


Duas páginas de uma das passagens iniciais do filme "A Rainha Africana" e uma vinheta do "quase" final da película, tudo em "riscos", como manda o figurino.