segunda-feira, 10 de julho de 2017

"THE AFRICAN QUEEN" - A RAINHA AFRICANA (SINOPSE EM BD)


Não sei se é da lembrança de muitos, mas este filme, A Rainha Africana (The African Queen), realizado por John Houston, tem nos principais papeis Humphrey Bogart (que ganhou um Oscar de melhor actor por esta película) e Katharine Hepburn.
Foi rodado no ano em que eu nasci. Sempre nutri pelo filme um carinho especial, visionei-me muitas vezes e decidi, há uns tempos atrás, fazer uma sinopse (só com didascália da minha autoria), do argumento, fazendo-a acompanhar de imagens desenhadas por mim e extraídas naturalmente dos fotogramas.
O intuito era publicar uma pequena revista de vinte e tal páginas, com duas vinhetas em cada uma, respeitando o formato da projecção em écran. Essa revista seria então distribuída gratuitamente por amigos e coleccionadores.
Acontece que, a páginas tantas, surgiu novo projecto, e este passou a marinar encafuado num ficheiro
em "drive" própria. A ideia não feneceu, até porque queria também desenhar outras jóias do cinema (para mim), como o Ben-Hur, O Nome da Rosa, etc.




segunda-feira, 3 de julho de 2017

BANDARRA A CORES


Esta página já tem uns largos meses, a preto; a cor, dei-a hoje, para experimentar.
Com isto quero dizer que, se me der na veneta, ainda um dia completo uma obra com este padrão de enquadramentos e desenho, reformulando no todo um álbum que vai para 20 anos (1997), esse de formato A4 e de capa dura.
No caso de publicar esta versão, restar-me-á sair da seguinte indecisão: ou o faço em formato A5 (14,8x 21 cm) ou em 17x24 cm.
Esta página é uma das três que se enquadra na lenda "O Banco do Eco", uma vez que, para além da vida do sapateiro-profeta, incluo as lendas que foram coladas à sua figura.

sábado, 17 de junho de 2017

JOSÉ DO TELHADO - NOVA ABORDAGEM

Já trouxe a este espaço o tema deste bandoleiro português, para o qual fiz, em tempos, um trabalho de uma página semanal para um jornal da capital.
Já alterei os enquadramentos da série, não sei quantas vezes, impondo-se esse exercício de paciência através da apetência por novos formatos.
Desta vez, lá vem o eterno A5 - entre duas e cinco vinhetas por páginas - adoptando os desenhos publicados no semanário, enquadrando-os de forma a não incompatibilizar, o cerne do que então fiz, com a adopção de novas vinhetas.

O desenho de traço espontâneo mantive-o, tanto mais que, por ser do meu âmago, deixava para o limite o acabamento das pranchas semanais, o que não se coadunava com mais perfeição. Hoje podia melhorar o aspecto gráfico, mas acho graça a esta forma de desenvolvimento plástico.

Voltei para actualizar este "post", colocando aqui o desenho aguarelado com o auto-retrato do autor (que sou eu), baseado numa fotografia dessa pose marcial. Como facilmente se verifica, esta pintura serviu de base para a gravura do José do Telhado no projecto de capa acima exposto.
Trata-se de um desenho com alguns anos, quando ainda tinha outros óculos, o cabelo mais escuro e, obviamente, menos idade.
A primeira imagem desta nova abordagem - e única como vinheta inteira de página - não pertence à edição original deste trabalho, mas que encaixa neste como abertura.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

PRÉMIO GICAV BD


Foi neste sábado passado, dia 3, que decorreu, na Aula Magna do IPV de Viseu, a 25ª Edição  dos Prémios da Revista ANIM'ARTE, relativos ao ano de 2016. Estes galardões são  um reconhecimento público do trabalho realizado por todo o tipo de agentes culturais, institucionais e desportivos.
O Júri teve a cortesia de me comunicar, bem antecipadamente, primeiro por telefone e depois por escrito, que me tinha sido atribuído o galardão relativo à BD, um reconhecimento público da obra que tenho publicada. Não divulguei a distinção, tanto mais que me propus reservar essa consideração para quem de direito, no momento oportuno e no lugar próprio.
Na breve intervenção que tive o ensejo de proferir, para além de agradecer ao Júri a distinção, bem como à promotora revista ANIM'ARTE do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), achei por bem realçar e prestigiar esta forma de arte comunicativa (que se diz 9ª arte quando, de facto, foi a 1ª, precedendo a escrita, uma vez que na pré-história se narrava através da sequência desenhada), contando até um breve episódio que se passou comigo.
Numa ocasião em que fui apresentado a uma figura pública como um autor de livros, mormente de ficção e de História, incluindo também obras de banda desenhada, a figura arqueou as sobrancelhas e inquiriu, dirigindo-se-me com alguma perplexidade:
- O senhor faz banda desenhada! A sério?...
Eu respondi:
- Não. Apenas faço banda desenhada, a brincar; os leitores é que a levam a sério.
Sobre o desenho e a escrita, achei por bem dizer que o próprio A que consta do galardão começou por ser o desenho fenício da cabeça de um touro (o Aleppo sírio, que corresponde ao aleph do alfabeto hebreu, etrusco e romano/cirílico) antes de se transformar na primeira letra do alfabeto latino.
Reparem bem na forma em V da cabeça de touro, atravessada pelos chifres,
Aleph fenício
com evolução através dos tempos de forma a rodar e ficar como hoje a encontramos.
É caso para dizer que, quando escrevemos, estamos a desenhar figuras de animais e objectos do quotidiano ancestral.

Ilustro esta informação com uma fotografia do troféu e uma outra, tirada pelo meu amigo Agostinho Barreiros, através do telemóvel.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

PROJECTOS ABANDONADOS - O MALHADINHAS


Já aqui falei deste projecto. Executei quase toda a obra com o prazer que me deu adaptar, para esta linguagem, a novela do Mestre. É claro que não a publicarei, tanto mais que sobre o texto pendem direitos autorais, os quais julgo repartidos entre os familiares de Aquilino e uma editora. No entanto, considero que, o gosto em fazer este trabalho, compensa as horas que o mesmo levou a executar.

terça-feira, 23 de maio de 2017

DICIONÁRIO DAS LOCALIDADES DO DISTRITO DA GUARDA


Acabou de sair este meu livro, que é uma edição especial com distribuição gratuita no 7º Encontro dos Aposentados da DGCI do Distrito da Guarda. Trata-se, desta feita, de uma edição com patrocínio do STI (Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos) e, como tal, para distribuição exclusiva pelos membros aposentados da classe.
É um livro onde são descritas, de A a Z, todas as localidades (aldeias, quintas, vilas e cidades) do distrito, num total que ronda o milhar e meio.

Está actualizado segundo a nova reforma administrativa das freguesias e contém, para além dos dados meramente corográficos, um pouco de história, monumentos, património material construído e natural, curiosidades, festejos e distâncias.
Talvez me proponha a fazer uma nova edição... para venda.

domingo, 21 de maio de 2017

ENCICLOPÉDIA ALEGRE DE IMPOSTOS (6)

Em 8 de Março deste ano trouxe aqui o tema “contribuição” e volto para repeti-lo, a pedido de “várias famílias” e porque ontem, numa confraternização, saiu-me esta do bestunto. Por essa altura, lembrou-me da “coisa” a propósito dos nomes que a estrangeirada deu à “Geringonça”, que também é um Imposto – e não uma Contribuição – uma vez que governa sem ser directamente votada para ficar em primeiro lugar para governar. Se isto é confuso, eu vos confundo neste poço de perplexidades sem fundo. O caso das traduções do vocábulo Portasiano por essas línguas-de-trapos para além de Vilar Formoso tem dado que falar; pelo menos, foi o que li num semanário abandonado e perdido numa sarjeta (quando o seu lugar seria num ecoponto), na altura em que não tinha trocos nem pachorra para comprar um em primeira mão.
Mas vamos aos vocábulos...
CONTRIBUIÇÃO. Durou muitos anos este termo “contribuição”, designadamente nos diplomas fiscais e na própria designação da entidade que superintende – a Direcção Geral das Contribuições e Impostos. Com a queda do que se chamava, muito despropositadamente contribuições, a própria designação da direcção geral deixou de conter esse termo e passou a ser conhecida como Direcção Geral dos Impostos, embora mantivesse a sigla DGCI.
Disse despropositadamente e disse bem, porque a contribuição pressupõe quem contribua com um propósito generoso, direi mesmo voluntário. E não era esse o caso.
Acabou o termo? Nada disso! Então como é que se chama, ou que outro nome tem, a contribuição audiovisual? E o que são as chamadas “contribuições extraordinárias”? Quando até a própria e o Banco Alimentar Contra a Fome, bem como a Wikipédia pedem “contribuições”!...
Uma coisa é dizer: eu contribuo para a AMI, porque tenho pena dos mais necessitados; outra será dizer: eu contribuo para o IMI, porque tenho pena dos menos carenciados. Para além disso, convenhamos que se o IMI fosse contribuição, seria designado por COMI (Contribuição Municipal de Imóveis) – logo, se o predicado exige sujeito, ou vice-versa, se COMI, comi alguma coisa…
Não se queixem os que contribuem com as filas de espera para cumprirem o sagrado dever de contribuir, alegando terem de deixar os filhos e os netos sozinhos em casa, pois o primeiro-ministro Costa disponibiliza-se para ficar com eles nesse ínterim.
O que contribui chama-se contribuinte, pessoa que o devia fazer graciosamente, segundo a etimologia da palavra. E não o faz. A não ser que seja um filantropo ou altruísta, mesmo assim para outras causas. Há quem ache que o contribuinte é um mecenas ou um trabalhador sem direito a féria. Aquele que foi actor e presidente americano muito antes de Trump, que se chamou Reagan, disse mais ou menos isto: “O contribuinte é o único cidadão que trabalha para o governo sem ter de prestar concurso.”
Também se pode meter neste saco todo aquele “chico” que contribuiu para os dez mil milhões nas “offshores”, na órbita da frase keynesiana de que evitar os impostos é a "única actividade que actualmente contém alguma recompensa".
O livro do ex-presidente da república, que levou o título “As Quintas-Feiras e Outros Dias” bem que podia ter outro título, mais apelativo, capaz de catapultar estas memórias para uma cifra equivalente à publicação das de Obama – 60 milhões (!). Se fosse eu, chamar-lhe-ia “As Quintas-Feiras e Outras Contribuições”. Mas, confesso, eu também não teria pachorra nem capacidade para escrever memórias deste quilate.
O certo é que o termo contribuinte constitui um paradoxo, tal como essoutro que se chama fuga ao fisco, quando, o que vemos, é os ditos contribuintes, em vez de fugirem, fazerem "fila" à porta das repartições para cumprirem a obrigação, ainda que, no íntimo, desejassem que o papel para pagamento da contribuição fosse metido num sítio recôndito e íntimo, como serventia.
Voltemos à família contribuição e imposto, cujo parentesco, no seio das designações fiscais, deve andar à volta de primos. Não havia uma redundância de designações para o mesmo fim? Não entrava tudo no mesmo saco, pela via da mesma caixa? Logo, um estava a mais.
Não estava, disso vos garanto. Os catedráticos aludem a diferentes significados técnicos para a existência dos dois ramos, coisa que eu não contesto.
O próprio termo imposto, se quisermos, já significa contribuir (concordo, por imposição), tanto assim que os serviços fiscais tratam por contribuintes os pagadores de impostos e não por impostores. Nalguns casos, sinceramente, mais impostores que contribuintes.
FOSSADO. Este devia ser o mais exótico dos impostos, se fosse aplicado aos proprietários e produtores de porcos bísaros, pata negra ou malhados de Alcobaça. Mas não. Quem fossava para este imposto não eram os suínos, que já os havia em larga escala, mas os trabalhadores da gleba, através da sua mão de obra para serviços de construção de castelos ou fortificações militares, bem como o serviço militar a que estavam obrigados os cavaleiros vilãos e peões.
Era, como se compreende, um imposto em espécie, sendo a espécie o trabalho e a prestação de serviços. Não era chegar à tesouraria ou ao multibanco e toma-lá!... Saía do corpinho e tinha o benefício de não sujeição às argoladas da liquidação e das omissões no e-factura, coisas que acontecem desde a ocorrência do pecado original.
E quem se escusasse ao fossado? Tal como hoje – e sempre – teria uma multa ou coima, que se chamava fossadeira e não era mais suave do que as suas congéneres de hoje.
Mais tarde, este encargo passou a ser remido a dinheiro, uma vez que o valor é semelhante para todos os sujeitos passivos e os cofres não engordavam com o suor alheio. Digo isto porque, sendo um imposto generalizado, alguns sornas e menos trabalhadores contribuíam com uma fatia menor, o que não era justo. Já na altura passava a ideia de que pagar imposto fazia mal à saúde.
    Tinha de haver penalidades para os faltosos. Então, tal como agora, código que fosse código, não ficaria completo sem este saboroso capítulo. Fossadeira, de início, era a multa que tinham de pagar os que faltavam ao fossado. A fossadeira, como multa, podia então ser paga em géneros, talvez mesmo em bitcoins da época, através de um estratagema subtil e semelhante àquele que só podia surgir, mais tarde, em cachimónias de hodierna gente.
     Imagina-se a satisfação dos cobradores ao ouvirem o "cantar" das moedas no fundo do cofre, muito semelhante à de um melómano a uma partitura de Bach.